Category A Voz do Mar

É mesmo a hora! Não podemos esperar mais pela recuperação do espaço que foi nosso durante de dezenas de anos.

Naqueles metros quadrados de terreno saibrento foram erguidas muitas horas de glória leixonense. Naquele espaço nasceram grandes nomes que vestiram e honraram a camisola rubro-branca.

Para quem tem muitas dezenas de anos de amor ao clube fundado por Américo Pacheco há que 114 anos, já tem mais de 75 a sentir vibrar as cores do Leixões.

Desde o Almeida, de lenço na testa, ás defesas do Couto e mais tarde do Hipólito, do imperialismo a defender do Zé Caseiro, Nelito, Raúl Machado e Manuel Moreira, este o primeiro internacional do clube; os pés de maravilha de Adão, Jacinto e Bené; das diabruras do Macarrão e do Chico Vilacova e dos pontapés de dinamite de Pedro Cordeiro Gomes e Barbosa. Da malandrice de um Oliveirinha e o pé de canhão do Nunes.

O nascer dos “bebés” num trabalho de genial de Armando Correia e do inesquecível Óscar Marques. Da maravilha de jogo do Fonseca, Barros, Chico, Horácio, Praia, Neca, Teixeira, Albertino, Nicolau e tantos outros. Tudo isto no palco de Santana, que serviu a apresentação de tardes de glória, nacionais e internacionais. Pouco mais de um hectare de terreno que quantas vezes não teve espaço para conter tanto fervor leixonense. Um espaço que tinha um cantinho da humildade e amor ao clube no trabalho do inesquecível senhor Alberto e de sua família que deu grande parte da sua vida pelo nosso Leixões.

A presença de grandes nomes como treinadores desde João Guia, Papanta, Janos Hrotko, Pedroto, Manuel de Oliveira, António Teixeira e aquele que deixou o seu nome no nosso emblema, como foi o caso de Nelson Filpo Nuñez, o argentino que ergueu a Taça de Portugal.

Do terreno que ensinou a dar pontapés na bola ao enorme Vítor de Oliveira que ainda hoje não acreditamos que tão cedo nos deixou para sempre. Do campo de Santana que viu e ouviu de dirigentes como Aníbal Pinto de Almeida, António Lage, Renato Costa, Orlando Gomes, Edison de Magalhães, entre outros.

Pois precisamos de voltar a nossa casa para homenagearmos um passado de glória e por ali fazermos renascer uma Academia que possa garantir o futuro. Uma Academia que certamente terá o nome de Vítor de Oliveira.

Chegou a hora de reclamarmos o regresso a Santana. Os possuidores do poder administrativo sabem disso e já inúmeras vezes prometeram apoiar. Até agora só em palavras.

O Leixões não pode esperar mais. Matosinhos não pode esquecer o seu clube mais antigo e representativo.

Vamos dizer isso, com veemência, no 25 de Setembro, mas em paz e só a pensar no Leixões Sport Clube.

JOAQUIM QUEIRÓS - Associado nº. 36